quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Iniciando os trabalhos

Por quê? Why? Pourquoi?

Antes de tudo, brota a pergunta elementar: POR QUÊ? Questionamentos e indagações do tipo: "Por que você fez esse blog?"; "Por que você quer postar essas coisas?"; "Por que isso interessa?"; "Por quê, cara!?". Perguntas que não partem exclusivamente dos outros, mas que também eu mesmo venho me colocando.
E bom, mais à frente tentarei respondê-las, mas adianto desde já que, a maioria das respostas para essas perguntas se originam de uma raiz comum: EU!
Para iniciar esse post de apresentação, nada mais esperado do que falarmos de mim, do que eu espero com esse blog, e essas outras coisas típicas de uma apresentação.
 -Rapaz de vinte-e-poucos anos, namorando a menina mais linda da Terra, graduando do curso de licenciatura/bacharelado em História no Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, apartidário, músico (guitarrista), espiritualizado, fumante e apreciador dos raros prazeres da vida! Haha! 
Aqui me identifico pelo meu apelido mais difundido: KISS; P. L. "KISS" Gracie, folks! Alguns me conhecem, alguns me odeiam, uns tantos são colegas, e alguns outros poucos são bons amigos. A vida é assim mesmo... 
Quando eu pensei na criação desse blog, eu tinha em mente primeiramente uma coisa: exteriorizar - e de certa forma, materializar - por meio dos posts, algumas reflexões, pensamentos e ideias que me passam pela cabeça. Além de exercitar a pesquisa, o levantamento bibliográfico, leitura, a construção de narrativas e outros aspectos próprios de um "fazer acadêmico", também vislumbro a beleza de uma licença poética, de um exercício criativo (conceitos que discutirei em outro momento em problemáticas relacionadas a narrativa, ciência, arte, etc). 
Buscando assim um gênero híbrido, um filho-bastardo da Ciência e da Arte, oriundo de uma relação safada entre o rigor e os procedimentos de uma pesquisa científica com essa libertinagem literária, poética e até um tanto quanto tosca e escrota. Aparece então esse tipo de texto-reflexivo-narrativo-poético-científico-pessoal-artístico-cultural, meio indefinido, e que nem eu sei mais o que é e deixa de ser...
Além das conveniências e facilidades propiciadas por um blog; hoje, nesse mundo "pós-moderno" que passa por uma segunda globalização, o coletivo se torna cada vez mais íntimo da Internet. E dentro dessa teia que é a World Wide Web, blogs como este são apenas um pontinho miudinho, dentre várias outras coisas, que formam infinitas redes de compartilhamento de dados e arquivos entre computadores conectados mundo afora. O que eu quero dizer é que a Internet sendo essa ferramenta foda que ela é, e partindo da minha crença pessoal de que conhecimento, informação, cultura, arte - e algumas outras coisas que aqui não vêm ao caso - deveriam ser livres de imposição de valores financeiros, de fácil acesso para homens e mulheres de todo o globo terrestre; que, com este desajeitado blog, farei algumas singelas, tímidas e humildes contribuições para uma universalização do conhecimento, informação, cultura, arte, etc
Veja bem, jamais que de forma alguma eu aspiro ser algum tipo de filósofo, escritor, pensador, intelectual PICA GROSSA DA GALÁXIA, ou algum hipster, indie, (pseudo)cult com síndrome de superioridade intelectual. Os meus motivos já foram expostos acima. 
Esse blog, antes de mais nada, é algo que parte de mim para eu mesmo, from me to myself! E se o blog, em algum momento, tem qualquer intenção de alcançar outras pessoas se não eu mesmo, que seja a fim de contribuir para a construção de um mundo onde o conhecimento, informação, arte e cultura são de graça, de fácil acesso e estão disponibilizados para cada homem e mulher mundo afora.

Clio tesão! 

Clio posando de tchutchuca by Pierre Mignard.
Ahhh Clio! Dentre as nove musas de Homero e Plutarco, Clio - ou Kleio, Κλειώ - consegue ser a mais instigante e mais atraente! Até mesmo mais do que Euterpe "a doadora de prazeres", musa da música.
Assim como suas oito irmãs, filhas de Zeus com Mnemósine (uma das Titânides, filha de Urano e Gaia, deusa da memória), as musas repousam junto a Apolo no Monte Parnaso que se erguia sobre a antiga cidade de Delfos. Cultuada por historiadores desde a Antiguidade Clássica de Heródoto e Tucídides, Clio é a musa inspiradora da história e da criatividade. Representada geralmente como uma linda jovem com uma coroa de louros, levando consigo numa mão a trombeta e, noutra o livro de Tucídides ou um pergaminho. Clio é tida como a proclamadora, aquela que divulga. E o que é a História se não a proclamação e divulgação do passado?
Eu, na posição de historiador, não poderia ser mais cliché e démodé ao eleger Clio como inspiração para o título desse blog. E de fato, eu não sou o único haha. Cito como exemplo rápido uma renomada revista científica fundada em 1994 nos U.S. sob o título "Clio's Psyche" (Psique de Clio), o que é bem pertinente já que as obras publicadas por essa revista são da área da "Psychohistory" (não sei se há uma tradução, mas a grosso modo, se trata do campo da História que se alia à Psicanálise). Para toda essa inquietação que toma conta de mim, que consumiu noites em claro à base de nicotina e leituras fritantes, pra essa estupefação que eu sinto ao ler e pesquisar, se há uma personificação para tudo isso, TEM QUE SER CLIO!

"De vez em quando, ela desce à cidade dos homens espalhando seu enlevo inebriante sobre os simples mortais."
Mas é claro, o caminho que nos espera é tortuoso...
Em um (excelente) blog, esse com um título mais original, "Café História": http://cafehistoria.ning.com/, encontrei essa pequena passagem que por sua vez foi retirada da Introdução de um (ótimo) livro de José Gerardo, Samara Mendes Araújo Silva, Raimundo Nonato Lima dos Santos (orgs) e mais uma pá de gente, "Labirintos de Clio - Práticas de Pesquisa em História":
"Como prêmio, a serena musa, filha dileta de Zeus e Mnemósine, agracia seus visitantes/discípulos com o título de historiadores e, com o estilete da escrita, fixa em narrativa os seus nomes no panteão da História. Como se não bastasse, esses jovens historiadores passam também a ser vocatizados através do fruto de seus conhecimentos gerados durante a travessia pelo labirinto, fato esse que recebe notoriedade através da trombeta da fama de Clio."
Esta passagem por sua vez, é a despeito de uma analogia feita pelos autores entre os labirintos de Clio e a prática da pesquisa historiográfica. Diz respeito ao prêmio reservado para aqueles que completassem a tortuosa jornada escalando o monte, desbravando labirintos, até o templo da nossa deusa grega. E aparentemente, essa "premiação" é uma das coisas mais almejadas pelos gregos antigos: a imortalização de seus nomes através do tempo graças aos seus "grandes feitos", sendo eles assim, salvos de um dos grandes medos daqueles homens: o esquecimento eterno. 
E o que eu quero é me jogar nessa viagem, caminhar esse longo caminho através das intempéries e dificuldades, atravessando os confusos labirintos da pesquisa, rumo ao tempo de Clio, para quem sabe, quiçá um dia, ser premiado e agraciado assim como foram os grandes do panteão da História.

Clio e seus relacionamentos

Durante o século XX, assistimos boquiabertos a História se aproximar de outros campos do conhecimento como a Sociologia e a Psicanálise, apenas para citar alguns. Observamos perplexos a apropriação e o flerte com teorias de outras áreas do saber, como filosofia linguística ou antropologia cultural. Clio tem se relacionado muito além do que podemos dar conta. Tem sido quase que uma suruba dentro das Humanidades. Sacanagens à parte e graças aos grandes como Foucault, Le Goff, Chartier, para citar apenas os primeiros que me vieram em mente, a História que tem sido produzido e pensada desde 1929 com os Annales é uma História cada vez mais rica, plural, multifacetada, policromática, diversificada, em constante re-significação e contemplando uma gama IMENSA de possibilidades e objetos a serem analisados. Veja bem, isso não quer dizer que tudo que se tem pensado e produzido antes dos Annales seja uma bosta, inútil, pobre e etc (apesar de que todas aquelas merdas, inúteis e pobres que o Eduardo Bueno escreveu foram lançadas a partir de 98). Mas nunca que, de forma alguma, eu estou desmerecendo ou negligenciando Marx e Engels, ou Voltaire, ou até mesmo Varnhagen. O que eu chamo atenção, e faço questão de frisar é que, a partir de 1929 - com os Annales - até os dias de hoje, a História tem enfervecido de contribuições muito fodas de uma galera mais foda ainda.
E é partindo e, tomando como marco essa transformação historiográfica desencadeada por Bloch, Febvre & cia. que, dou início aos trabalhos e declaro pra quem quiser saber que há 5 semestres estou em um relacionamento complicado com Clio (e suas outras paqueras)...
Por agora isso é tudo! That's all folks!
Comentários, sugestões, críticas, xingamentos, todos e tudo são muito bem vindos para este micro-universo que estou criando para me ludibriar e dar algumas [refletidas] rapidinhas com Clio...

Fiquem ligados:


  • BURKE, Peter - A Escola dos Annales 1929-1989 - A revolução francesa da historiografia.
  • BURKE, Peter - Variedades da História Cultural.
  • DOSSE, François - "O historiador: um mestre da verdade" In A História. 
  • GERARDO, José; ARAÚJO SILVA, Samara Mendes; DOS SANTOS, Raimundo Nonato Lima (orgs) - Labirintos de Clio - Práticas de Pesquisa em História.

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