sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A História de um ritmo, de uma cidade e de uma paixão

Olá senhores, esse é o meu primeiro post no blog e vocês já devem estar confusos com o título. Que ritmo, que cidade e que paixão são essas? Se vocês acham que isso é um truque pra deixá-los curiosos e fazer vocês lerem até o final... Acertaram. Mal aê. Mas acredito que ao longo do texto essas e outras dúvidas serão solucionadas, e espero que se interessem pelo assunto. Afinal, quem não gosta de música?

Peraí, peraí. Não é só de música que eu tô falando. É DE ROCK, PORRA. Um ritmo que, assim como a História de um modo geral, sofre mudanças com o tempo. A música é fruto de impulsos, sentimentos e reflexões que também caracterizam a época de onde provém, e o rock é uma dessas manifestações, característica de uma época. Para ser mais exato, de 50/60 anos para cá. Mas para sermos um pouco mais precisos, vamos recortar ainda mais. Estamos falando das décadas de 70/80. Estamos falando do punk. E estamos falando das primeiras décadas de existência de uma cidade incomum: Brasília. E assim, mais uma peça do quebra-cabeça que é o título do meu post se desvela. Qual seria a paixão, então? Essa eu vou deixar para o final.

E aí vocês poderiam perguntar: "o que caralhos esse monte de coisa tem a ver uma com a outra"? Como diria Jack, O Estripador, "vamos por partes". Primeiro precisamos entender: de onde vem o punk?



A música acima é, talvez (ou com certeza), a música mais conhecida daquela que é considerada a primeira banda punk: Ramones. E devo dizer, uma das minhas favoritas. Através não só dessa música, como de outras do Ramones, assim como de outras bandas importantes que surgem nesse período, como The Clash e Sex Pistols, podemos compreender todo um contexto histórico. O punk rock é mais forte, mais incisivo e crítico em relação à realidade em que está, em comparação com os rocks anteriores, que estão conectados ao contexto da contracultura e da psicodelia. Pode-se dizer que o punk, então, se afasta um pouco da utopia e abraça a revolta. É, senhores, the kids are losing their minds.

Onde entra Brasília nisso tudo? Primeiro: é uma cidade que nasce praticamente junto a esse ritmo, ritmo esse que também caracteriza um estilo próprio. Segundo: é uma cidade que também, aos poucos, largou a utopia e abraçou o caos. Uma vez ouvi dizer que Brasília é o "futuro do pretérito": seus prédios e monumentos encarnam a visão que se tinha do futuro na época em que foi construída, no final dos anos 50. Encarna a esperança de um futuro que ainda não veio, que talvez nunca virá. Uma utopia e um anacronismo cravados no Planalto Central.

Acontece que uma hora, como disse John Lennon, o sonho termina. E é nessa hora que a realidade inexorável se abre aos olhos de todos, a realidade de um país corrupto, de um Estado inútil e de uma cidade que também tem seus tantos e tantos problemas... E aí, surge o caos.




O rock brasiliense é, de início, a história de uma "Turma", como eles mesmos se chamavam. O engraçado é que essa Turma era formada por gente que, na teoria, dificilmente se encaixaria na definição de punk que eu dei antes. Filhos de diplomatas, de pessoas de poder e de posses, essa Turma, que daria origem a bandas como Plebe Rude, Capital Inicial, Raimundos e Legião Urbana, proveniente de diversas partes da cidade e que teve seu início no lugar conhecido como "Colina" nas proximidades da Universidade de Brasília, lugar que deu ao grupo o seu nome, "Turma da Colina", buscava matar o tédio (que até hoje existe, convenhamos) da cidade onde moravam se reunindo frequentemente pra beber umas e ouvir as músicas dessas bandas que entravam em contato quando viajavam ao exterior. E daí surgiram diversas histórias.

"Teve uma Festa dos Estados e o Renato [Russo] estava com o cabelo pintado. Então a polícia resolveu dar uma geral na galera. [..] Nós já estávamos num canto tomando geral e chegando mais gente. Aí, o Gutje roubou a garrafa de uísque de alguém, saiu correndo e entrou numa porta- era a delegacia de polícia. Os guardas encostaram todo mundo na parede, deram o maior sermão e deixaram o Renato quieto. Aí, os guardas começaram a implicar com ele. Perguntaram seu nome, mas não lembro o que o Renato respondeu que o cara deu um tapão. O Renato ajoelhou e o policial perguntou de novo: 'qual é o teu nome?' e o Renato respondeu: 'seu guarda, o senhor está muito nervoso, qual é o seu signo?' e tomou outro bofetão."

Nenhuma das pessoas que viveram essa história possui um caráter tão emblemático quanto o de Renato Russo. Ás vezes inspirador, às vezes problemático, às vezes as duas coisas ao mesmo tempo, Renato foi o "guru" da Turma, um homem de personalidade controversa, mas com um talento que beira a unanimidade até os dias atuais. Não nasceu em Brasília, mas viveu Brasília, com todas as perfeições, imperfeições e idiossincrasias que esta cidade mantêm, retratando-a em canções que se tornaram lendárias, como Faroeste Caboclo e Anúncio de Refrigerante. Porém, sua relação com a cidade era de amor e ódio. Renato fez seu último show em Brasília no Estádio Mané Garrincha, com a Legião Urbana, em 18 de Junho de 1988, marcado por baderna, quebra-quebra, mais de 200 feridos e pelo cantor xingando seus próprios fãs. Nunca mais voltou à capital.



Pichação encontrada após o último show da Legião em Brasília

Porém, Renato pode ter "brigado" com Brasília, mas nunca a esqueceu, nunca deixou de viver o que essa cidade representa, assim como seus fãs nunca esqueceram de suas músicas e do quanto tudo aquilo, o ritmo, a utopia, a revolta e a paixão (opa, ainda se lembram do título?) que tudo aquilo junto significava, de ainda tomar umas e se divertir com os brothers depois da porra toda. Paixão essa que também é minha, afinal, o caos, por mais contraditório e louco que pareça, motiva a todos nós.

Abraço, PORRA!

Historiador? Mas é uma profissão mesmo!?

Profissão Historiador?

Amantes de Clio, venho por meio deste reproduzir na íntegra o post dos amigos do Café História (http://cafehistoria.ning.com). O tema é relevante e o post esclarecedor! Merece a nossa atenção e reflexão! Se é para regulamentar a profissão, que seja de uma maneira democrática e que atenda as necessidades de todos nós, historiadores e profissionais que se debruçam sobre a História. Debater projetos como o do Senador Paulo Paim já é um bom começo, mas a caminhada é longa! Segue o texto dos colegas:





"Entidades e pesquisadores avaliam projeto de lei que dispõe sobre a regulamentação da profissão de historiador (PL4699/2012) no Brasil. Para vários profissionais do campo, o projeto pode trazer muitos prejuízos, sobretudo na forma como encontra-se redigido.
O Projeto de Lei 4699/2012 (denominação atual), do Senador Paulo Paim (PT), que propõe regular o exercício da profissão de historiador no Brasil, entrou em tramitação de urgência em Brasília em junho recente, o que fez com que o debate a seu respeito ganhasse novo fôlego nos últimos dois meses. E o debate voltou ao espaço público cercado de muitas críticas. A primeira dessas críticas se tornou conhecida no dia dois de julho de 2013, quando a a Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC), por meio do Jornal da Ciência, publicou uma carta aberta manifestando preocupação diante da provável aprovação do PL. Nesta carta, a SBHC reconhece a importância da luta pela regulamentação da profissão, inclusive os esforços da Associação Nacional de História (ANPUH) em apoiá-la, mas deixa clara a sua preocupação com possíveis prejuízos que tal projeto de lei pode ocasionar a um amplo grupo de profissionais de outras áreas que atuam há anos no campo da pesquisa historia, mas que não possuem diploma na área, como é o caso dos historiadores da ciência. Para a SBHC, o problema pode ser resumido em duas de suas características:

- “Por um lado, o texto é categoricamente restritivo: historiador é o portador de diploma de graduação, mestrado ou doutorado em história, e nada mais. Por outro, é vago: aos historiadores definidos nesses termos são reservadas a prática de atividades tão mal definidas quanto a prestação de "serviços em história", a organização de exposições sobre "temas históricos", e mesmo o "o magistério da disciplina de História" na educação básica e superior (sem especificar, no primeiro caso, a necessidade de formação em curso de licenciatura, mas, sobretudo, esquecendo, no segundo caso, que não existe "a" disciplina de história no nível superior, mas inúmeras disciplinas especializadas, como a própria história da ciência.”, informa a carta.
Ainda segundo a SBPC, o projeto de lei que segue em tramitação na capital poderá gerar, se aprovado, diversos casos de “insegurança jurídica”. “Quando uma exposição, por exemplo, será considera histórica, nos temos da lei? Um historiador da ciência que não possua o diploma específico, ainda que ostente todas as qualificações necessárias, não poderá ensinar esse tema nas universidades, ou organizar um acervo ou exposição de livros, instrumentos ou documentos antigos?“, pergunta-se a entidade, para concluir que o PL, na forma como encontra-se redigido, não contribui para fortalecer o exercício da profissão. Por esses e outros motivos, a SBPC chegou a pedir em carta aos deputados federais a suspensão do mesmo.
Duas semanas depois, a Associação Nacional de História, por meio de seu presidente, o professor Benito Bisso Schmidt, publicou uma outra carta aberta, endereçada a professora Helena Nader, presidente da SBPC, pedindo que a mesma fosse publicada pelo Jornal da Ciência como “direito de resposta, e como forma de reparar uma parte dos danos cometidos aos historiadores brasileiros”. No texto, Schmidt afirma, entre outras coisas, que o PL não é restritivo em sua caracterização profissional e que não veda ninguém a escrever ou ensinar história, apenas no âmbito formal de ensino e pesquisa científica.
No final de julho, houve uma tentativa para se eliminar os ruídos na comunicação entre a ANPUH e as demais instituições que que compõem o universo da pesquisa histórica. A Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE), também preocupada com as possíveis limitações que podem surgir com a aprovação do PL solicitou à diretoria da Associação Nacional de História uma reunião para discutir o tema. O encontro ocorreu no dia 26 de julho, no prédio da UFRN, durante a realização do Encontro Nacional de História, com a presença de representantes da SBHE, da SBHC, do CBHA (Comitê Brasileiro de História da Arte), além de outros associados da entidade. O principal propósito do encontro era apresentar dúvidas e divergências a respeito do Projeto de Lei, além de algumas demandas específicas. De acordo com nota publicada pela ANPUH, a entidade esteve aberta ao diálogo, escutando as entidades no sentido de encontras fórmulas que contemplem um projeto e lei mais aprimorado, mas deixando claro que continuaria apoiando-o.
O barulho fez-se escutar em Brasília. Parlamentares envolvidos na discussão convocaram as várias entidades envolvidas para uma reunião de emergência no Congresso Nacional, preocupados com as críticas envolvendo o PL. Na tarde do dia 21 de agosto, os deputados Chico Alencar, Geraldo Policarpo e Pedro Uczai, e mais o senador Paulo Paim, autor do projeto de lei reuniram-se com representantes da ANPUH, da SBHC, CBHA e do SBPC (Sociedade Brasileira de História da Ciência, Comitê Brasileiro de História da Arte e Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência). De acordo com nota emitida pela ANPUH, a reunião foi positiva, ficando definido que as entidades fariam uma emenda ao PL, de forma a aprimorá-lo, emenda esta que não trouxesse prejuízos ao campo. Somente assim, revelaram os parlamentares, o PL seria levado a plenário e finalmente aprovado.


Divergência entre historiadores

Além das entidades, historiadores, individualmente, também se manifestaram de formas distintas a respeito do PL nos últimos dois meses. Francisco Marshall, historiador e professor do departamento de História do IFCH/UFRGS, publicou uma artigo no jornal Zero Hora, no dia três de agosto, dizendo que o PL que tramita em Brasilia é pautado por uma “pretensão de monopólio corporativo”.
- “Além da finalidade medíocre e insustentável de garantir reserva de mercado, vai-se produzir outra casta cartorial, controlando um ofício livre e inofensivo, dando ilusão de poder a tecnocratas improdutivos, burocratizando o ofício, perturbando e ofendendo profissionais dignos, inibindo a evolução acadêmica, sem qualquer ganho social. A sociedade, caso conceda esta reserva de mercado, abrirá mão de parte importante da liberdade e fomentará litígios desnecessários nas ciências patrimoniais, hoje, aliás, muito mais complexas do que o imaginam os arautos do oficialismo historiográfico”, afirmou Marshall.
Roberto de Andrade Martins, ex-presidente da Sociedade Brasileira de História da Ciência, chegou a criar um blog chamado “Profissionalização do Historiador”, cujo objetivo é discutir o PL. Em um post de 30 de agosto, Martins reuniu a manifestação de importantes pesquisadores sobre o projeto, mostrando que vários pesquisadores não concordam com o PL. Denise Bottmann (UNICAMP) diz : “sob qualquer aspecto que se olhe, não vejo qualquer justificativa para a regulamentação da profissão”. Opinião parecida com José Murilo de Carvalho (UFRJ), para quem o projeto é “um primor de corporativismo e obscurantismo”, e também para Renato Janine Ribeiro (USP), que chamou o PL de “um absurdo”, entre outros.

Estas críticas estão alinhadas, de alguma forma, com o que disseram alguns relatores do projeto, como é o caso do Deputado Geraldo Policarpo:

- Grupo de Estudos do Café História sobre o assunto
- Carta aberta da Sociedade Brasileira de História da Ciência
- Parecer do relator Geraldo Policarpo sobre o PL46399/2012
- Blog Profissionalização do Historiador
- Artigo de Francisco Marshall no Zero Hora
- Notas, moções e cartas emitidas pela ANPUH

- “O texto do Projeto não oferece um conceito de Historiador, mas restringe o exercício da atividade aos graduados em curso superior e aos portadores de diploma de mestrado ou doutorado em História e atribui-lhes, privativamente, o magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior; a organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas de História; o planejamento, a organização, a implantação e a direção de serviços de pesquisa histórica; o assessoramento, a organização, a implantação e a direção de serviços de documentação e informação histórica e o assessoramento voltado à avaliação e à seleção de documentos, para fins de preservação, bem como a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos”, afirma” Policarpo.
E você, como se posiciona neste cenário? Concorda com as críticas? Ou acha que a regulamentação deve seguir seu curso? Não deixe de participar deste debate. Sua opinião é muito importante. Comente este post. Para saber mais a respeito, confira:
- Entrevista do Café História com o Senador Paulo Paim"

Origem do Escapulário

                                                          
O escapulário do Carmo
                                                  
Consiste em dois pedaços de pano marrom, unidos entre si por um cordão. Um pedaço de pano traz a estampa de Nossa Senhora do Carmo, e o outro a do Sagrado Coração de Jesus, ou o emblema da Ordem do Carmo. A palavra latina “scapulas” significa ombros, daí designar-se Escapulário este objeto de devoção colocado sobre os ombros.

Para os religiosos carmelitas, é símbolo de consagração religiosa na Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Para os fiéis leigos, para o povo, é símbolo de devoção e afeto para com a mesma Senhora do Carmo. Nos meios populares, é conhecido como “bentinho do Carmo”.

“Para a Igreja, entre as formas de devoção mariana, está o uso piedoso do Escapulário do Carmo, pela sua simplicidade e adaptação a qualquer mentalidade” (Papa Paulo VI). Maria, Mãe de Jesus, é a “mulher que pisa na cabeça da serpente” (Gn 3,15), e aparece “vestida de sol, tendo a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12,1-17).


                                                                                   Origem do Escapulário

No século XI, um grupo de homens dispostos a seguir Jesus Cristo, reuniram-se no Monte Carmelo, em Israel. Ali construíram uma capela em honra de Nossa Senhora. Este local é considerado sagrado, desde tempos imemoriais ( Is 33,9;35,2; Mq 7,14), e se tornou célebre pelas ações do profeta Elias (1 Rs 18). A palavra "carmelo" quer dizer jardim ou pomar. Nasciam ali os carmelitas, ou a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

Tempos depois, os carmelitas mudaram-se para a Europa e passavam por grandes dificuldades. No dia 16 de julho de 1251, quando rezava em seu convento de Cambridge, Inglaterra, S. Simão Stock, superior geral da Ordem, pediu a Nossa Senhora, um sinal de sua proteção, que fosse visível a seus inimigos.

Recebeu, então, de Nossa Senhora o escapulário, com a promessa: "Recebe, filho amado, este escapulário. Todo o que com ele morrer, não padecerá a perdição no fogo eterno. Ele é sinal de salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e pacto sempiterno”.

Quem segue Jesus e é devoto de Maria Santíssima, caminha a passos seguros no caminho da salvação. O escapulário é sinal da proteção de Maria.

A festa de Nossa Senhora do Carmo é celebrada todo 16 de julho de cada ano, desde 1332, e foi estendida à Igreja Universal no ano de 1726, pelo papa Bento XIII. O papa João Paulo II, ao declarar que usa o escapulário desde sua juventude, escreve: “O Escapulário é signo de aliança entre Maria e os fiéis. Traduz concretamente a entrega, na cruz, de Maria ao discípulo João”(Jo 19, 25-27).

Fonte: Côn. Dr. Pedro Carlos Cipolini
Pároco e Reitor da Basílica




Os Santos e o Escapulário
  
Eis aqui alguns exemplos do apreço de Santos ao Escapulário do Carmo:

- São Simão  Stock, que teve a dita de receber o Escapulário das mãos da Rainha do Céu, no mesmo dia o tocou no corpo de um moribundo impenitente, obtendo o primeiro milagre do Escapulário com a imediata conversão do doente.

- São João da Cruz,  ao perguntar muitas vezes ao frade que o assistia em sua última doença, que dia da semana era, explicou: “ Pergunto porque me veio agora  à memória quão grande benefício  é o que faz Nossa Senhora aos religiosos de sua Ordem que portaram seu hábito e fizeram o que esse privilégio pede”. Realmente faleceu na alvorada de um sábado, 14 de dezembro de 1591.

- Santa Teresa de Jesus com freqüência se gloriava de portar o escapulário “ como indigna Carmelita”. E zelava para que suas  religiosas não deixassem de dormir com ele posto. Dirigindo-se a elas, escrevia: “Só posso confiar na misericórdia do Senhor... e nos merecimentos de Seu Filho e da Virgem Maria Santíssima, Sua Mãe, cujo hábito indignamente trago e vós trazeis”.

- Santo Afonso Maria de Ligório não só usava o Escapulário, mas o recomendava  insistentemente aos fiéis. O Escapulário com o qual foi enterrado permaneceu incorrupto no sepulcro, e é hoje venerado num relicário em Marianella, sua cidade natal.

- São Pedro Claver serviu-se incessantemente do Escapulário do Carmo em seu apostolado com os negros na Colômbia. Conserva-se uma pintura representando-o no leito de morte, com um crucifixo em uma das mãos e o Escapulário sobre o peito; em volta à sua cama, muitos negros com o Escapulário ao pescoço, beijando os pés e as mãos do missionário.

- São João Bosco recebeu-o na infância  e o difundiu durante toda a vida. Enterrado em 1888 com o Escapulário, em 1929 foi encontrado o mesmo em perfeito estado de conservação, sob as vestes apodrecidas e os mortais mumificados desse grande apóstolo e incomparável educador da juventude.

- São BoaVentura dizia: “Desafoguem o peito diante da Virgem do Carmo os pecadores mais empedernidos: revistam-se do seu Santo Escapulário e Ela os conduzirá ao porto da conversão. Honrem-na com o uso do Escapulário e demais obrigações ou obséquios da Confraria.

Fonte: Texto de  Plínio Maria Solimeo, A grande promessa de salvação, Artpres, S. Paulo, 2000, p. 51-53.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Amar ou eternizar-se em suas obrigações?

Uma breve reflexão do porque muitos romanos tiveram Enéias como herói.

Ao longo de sua interminável viagem rumo à terra prometida, a lenda de Enéias nos mostra como o filho da Deusa Vênus e de Anquises, teve de sacrificar a ternura de seu coração para que pudesse cumprir sua obrigação com os Deuses sendo finalmente imortalizado perante os olhos dos romanos.

“Após a tempestade que o arremessou com seus navios na costa africana, Enéias pensou que havia encontrado, por fim, o termo de suas provações. Ali um povo novo construía uma cidade. Uma rainha, vinda de Sidon, lançava as bases de um império. Sabedora da epopeia troiana, ela acolheu os náufragos bondosamente, emocionada com suas desgraças e sensível a sua coragem. Ela mesma não havia sido poupada pelo destino. Vira o próprio irmão assassinar seu esposo, a quem amava mais que tudo no mundo. Fugira de seu país para escapar de uma morte mais que provável e agora procurava uma nova pátria os númidas bárbaros. Dido a rainha temerária, estava tão só quanto Enéias na missão que se atribuíra: os dois conduziam um povo e estavam condenados a pior das solidões. Quase não houve necessidade da interferência divina. Bastou uma oportunidade, uma caçada, uma tempestade que separasse Enéias e Dido de seu séquito na montanha, o abrigo cúmplice de uma gruta onde os dois se refugiaram. Nos relâmpagos que a intervalos iluminavam a gruta, Dido chegou julgar ver a chama das tochas do himeneu. Ela se acalentou na ilusão de que os deuses aprovassem aqueles laços que aceitava com felicidade. Enéias deixou-se amar. Não se envergonhava nem temia os envolvimentos que todo o seu ser aceitava. Com total boa fé aceitou seu papel de marido e de rei até o dia em que os Deuses lembraram-lhe que sua missão não era aquela: esperava-o sua “terra prometida”.”

 Seria possível recusar seus sentimentos de amor com sua esposa e seu filho Ascânio em virtude ao cumprimento da vontade dos Deuses e a fortuna que o destino lhe reservara? Sendo Enéias filho da Deusa do amor não deveria permanecer nos braços da mulher amada?

“Arrasado, mas sem hesitar, o filho de Vênus sacrificou ao dever seu amor humano. Partiu. Ao saber de sua decisão, Dido cobriu-o de reprovação. Estava desesperada com aquela fuga diante de seu amor. Ele o sabia, e no entanto a deixou. Enfurecida e envergonhada, pois acreditara que Enéias poderia substituir seu marido Siqueu e porque em seu abandono reconheceu-se perjura, resolveu morrer. No alto do palácio acendeu uma fogueira imensa, que seria sua pira funerária, e a chama iluminou o céu, enquanto os navios de Tróia partiam em direção ao norte.”

Exatamente por renegar a força do seu destino, Enéias foi um lendário herói para os romanos. Tal atitude indaga uma reflexão sobre as virtudes romanas e como esses foram capazes em lidar com um sentimento tão complexo como o amor e a paixão carnal. O herói que Roma se orgulhava, negara a essência de seus sentimentos, preferindo cumprir com o destino que os deuses lhe confiaram do que com as vontades que seu coração despertava. Sendo assim, achou melhor mudar os próprios desejos a alterar a ordem do mundo, pois conhecia os limites do seu próprio poder, sabia que uma paixão, sobretudo satisfeita, não pode aprisionar a vontade de um homem. Por essa atitude os romanos viram no “Herói” Enéias que a força da vontade dos destinos superava o capricho amoroso da vida de um mortal. Essa foi uma das principais lendas imortalizadas por Virgílio e que reflete alguns costumes romanos em relação ao amor e a obrigação. 

Será que Enéias sentiu-se realizado pelos seus feitos? Vale mais renegar uma paixão verdadeira ou buscar a realização material? É cabível uma reflexão sobre a atitude de Dido em tentar "substituir" uma paixão por outra? A vontade dos deuses respeita a vontade dos homens? Essas são algumas perguntas que cabem ao leitor responder.

domingo, 1 de setembro de 2013

Do lixo ao luxo: Lídia e seu glorioso passado

Um pouco de história

Sardes: a antiga capital dos lídios

Olá, meus parceiros! Venho até aqui pela primeira vez para encher um pouco o saco de vocês, comentando um pouco sobre uma paixão que une vários astronautas que viajam cabulosamente (com muita sagacidade) nos alucinantes e embriagantes passeios pela galáxia da HISTÓRIA.

É provável que vocês lembrem que na época em que frequentamos a escola (a não ser que você estivesse zoando a professora, o ''amigo'', paquerando gurias, soltando peido alemão na sala, matando aula para tomar Cantina das Trevas ou simplesmente dormindo, seja pelo fato da aula ser uma merda, por causa de seu MALEDITO vício com jogos online ou por culpa do Red Tube na noite anterior), a gente acaba estudando em História, para a sua tristeza ou felicidade, sobre as grandes civilizações do Oriente, tais como o Egito, a Mesopotâmia, a Pérsia, a Fenícia, entre outros povos que tiveram grandes feitos e acabaram sendo consagrados na historiografia, em que muitos deles influenciam muito em nossos dias atuais. Exemplos? Não faltam. Podemos citar a escrita, seja ela por meio de hieróglifos ou no formato de cunha, o alfabeto consonantal fenício, o pensamento religioso dos hebreus, as técnicas para drenagem e irrigação dos solos em períodos de seca ou de fertilidade, entre uma pá de coisa que chegaram até nós. Até aí vocês lembram, né?

Esses são os primos ricos dentro da história dos povos orientais. Os pobres, como de costume, só se fodem e ficam somente com o que restou: os poucos fragmentos que restaram do passado. Como Baltasar Gracián dizia nas antigas, não há maior vingança do que o esquecimento, e a pena é facilmente aplicada aos vários mendigos, agora condenados a prisão perpétua, que acabam vivendo na solitária cela, esquecidos e renegados até o dia de virarem presuntos. Outros ainda sobrevivem com essas migalhas que mal dão para conter a fome que passam. Eis que em um inesperado momento Clio acaba reunindo diversos desvairados em volta do Monte Hélicon com o intuito de convocar geral para mais uma missão: combater a injustiça feita contra a galera e deem o sangue para resgatar os renegados do sofrimento. Todos toparam e invadiram a prisão no dia seguinte, atacando os guardas malditos, misturando as diversas habilidades aprendidas nos constantes treinamentos com Ares e outros seres  deuses: a precisão nos tiros de Clint Eastwood, o Jeet Kune Do do mestre Bruce Lee e a capacidade de desviar dos disparos á queima-roupa, como possui o Max Payne. Uau! Os agentes não deram nem pro cheiro! Eles encontraram em meio aos corpos ensanguentados diversas chaves das celas, e assim acabaram libertando boa parte dos esquecidos, que, para a surpresa deles, não eram identificados com roupas e números de identificação no sistema carcerário, mas sim com faixas que tampavam seus olhos, ouvidos e bocas, sendo retiradas pelos sagazes homens. Na volta ao Monte Hélicon, eles trouxeram as humildes, mas valorosas pessoas de volta, fazendo com que Clio ficasse muito orgulhosa, concedendo assim o mais valioso título aos corajosos e disciplinados guerreiros: o de historiador. Nessa loucura, acabaram sendo resgatadas diversas mulheres que detiveram tempos de glórias em um passado distante, mas em especial uma com o nome de Lídia, que fez questão em nos dar o papo reto sobre um pouco de sua trajetória, em uma conversa acompanhada por uma cervejinha gelada. Excelente!

Pois bem, ela parecia estar engajada em dizer algumas coisas interessantes, mas eu não entendia nada do que ela falava. Eu já estava começando a ficar chapado e muito puto com a situação, até que chegaram Janto e Heródoto na sala para me darem uma ajudinha e me explicar o que ela tava falando. Aí sim comecei a entender sobre o assunto por causa de suas sábias palavras. Entre uma breja e outra, conversas indo e vindo, misturando as informações deles com as que já tinha conhecimento, fiquei sabendo boas informações, e irei contar a vocês as experiências dessa senhora. Por sinal, Janto, como disse Gómez Espelosín, "conhecia a perfeição de seu próprio território e e podia, portanto, levar a uma conclusão bem sucedida de uma descrição detalhada do país".

Se localizava na região da Anatólia, ou se preferirem, em uma parte do território que abrange o país da Turquia nos dias contemporâneos, mas chegaram a ocupar a metade Oeste da Anatólia nos tempos áureos. Aquelas terras eram divididas com diversos povos conhecidos (ou não) do Oriente, como os frígios, os jônios, cilícios, lícios, cários, entre outros que ficavam á esquerda do Rio Halys, também chegando a ocupar as proximidades de outros rios da região, como o Meandro, Caistro e também o Pactolo, este muito importante para economia da Lídia. Tal rio é conhecido na antiguidade por ser o local em que Midas deixou de lado o seu poder de transformar tudo em ouro (dado pelo deus Dionísio) ao tocar suas mãos nas águas do rio, pois não dava nem para ele comer. Comer ouro não dá né, malandro? Só se tiver em uma broca lascada. Aí o ouro passou todo para o rio Pactolo, grande fonte de riqueza para os lídios.


A Anatólia e suas divisões

Heródoto me disse que o nome Lídia é por causa de um antigo rei, que dizem uns serem mitológico, desse povo chamado Lido, filho de Átis. É bom saber que a opinião de Heródoto não é um monopólio dentro das ciências sociais, pois o arqueólogo Bochard acreditava na origem fenícia, oriundo do nome luz. São hipóteses que se abrem, em meio a outras, de desvendar, ou ao menos reinventar o passado, já que voltar ao mesmo só se for em outra vida.

Janto me deu ideia da dinastia de Lido, os reis atíados. Os reis de tal dinastia foram Tmolo, Tântalo, Ônfale, Átis e Lido, a maioria dos citados foram personagens importantes dentro da mitologia grega. Creditam Tmolo ser um deus das montanhas e primeiro rei dessa galera, Ônfale governou após a morte de Tmolo, então seu marido. Átis também pode ser considerado personagem da mitologia, já que para uns era considerado um semideus loucamente apaixonado pela deusa frígia Cibele. O substituto de Átis foi seu filho, Lido, que se suicidou. Também há fontes que apontam que tal lista de reis seja bem maior, apontando até Ônfale como apenas princesa da Lídia.

Essa parada é complicada, MANÉ. As datas são incertas, não dá pra se estabelecer uma cronologia sinistra com as fontes que temos, sem contar que é formada por personagens da mitologia grega, o que já é difícil pá cacete de estabelecer algo certinho. Se falar da Lídia é sempre uma polêmica historiográfica, as fontes não são bem precisas na maioria das vezes. Há a colocação dos Lídios como uma ramificação de povos descendentes do Império Hitita, que, aproximadamente, em 1180 sucumbiu diante da invasão de diversos povos, entre eles os gasgas, os tais povos do mar, mushkis e também pelos frígios, após anos sofrendo com a desorganização causada pela disputa interna com intuito de se garantir uma possibilidade de subir ao trono, com Hattusa, então capital de Hatti, sendo incendiada, vários manos de lá sendo mortos ou levados como escravos, daquele jeito tradicional. Uma boa parte, inclusive Heródoto, acredita que a Lídia seja derivada da Meoncia, antigo povo da Anatólia, tendo mudado seu nome depois do rei Lido ter assumido o trono. Alguns até acreditam, como Charles A. Frazee em sua obra História do Mundo Volume Um: Tempos Antigos e Medievais a 1500 d.C, na aparição da Lídia (propriamente dita) no século VII a.C, pós derrocada da Frígia diante da Ciméria. Outra coisa que auxilia é a lombra de que a língua lídia é originária da língua hitita, de matriz indo-européia.

Enfim, vamos pro papo reto. Heródoto me disse que houve uma dinastia dos descendentes de Héracles e de uma de suas esposas que se chamava Iardanos (Ônfale talvez tenha dado origem a essa cambada de reis), reinando entre os lídios por 505 anos, chegando ao número de 22 reis, começada com o rei Agros. Muitos posteriores contestam essa parada, mas pode ser que ele esteja certo, de duas, uma: ou a cerveja estava bem batizada ou deu inspiração para a mente dele. De qualquer forma se o Tucídides estivesse aqui presente, acho que ia sair uma briga doida entre os dois, com as velhas acusações de farsa por parte de nosso outro amigo. Nesse período um pouco obscuro também existem uma série de nomes que estudiosos contestam, embora o mais indicado seja Agros como primeiro rei absolutamente sapien como nós. Após ele, alguns reis o sucederam, entre eles Ardis I, Aliates I e Mirso. De fato, o último dos reis de tal dinastia, quando a Lídia ainda era minúscula, foi o rei Candolo (ou Mirsilo, dá nada), filho de Mirso. Isso pelo século VIII ou XVII da era cristã.

- Um baita tirano! - disse Heródoto.

Ele se empolga para falar da trágica história desse nosso companheiro. Mais ou menos no ano de 716 antes da era cristã, acabou dando a doida em Candolo e ele mostrou a sua mulher peladona para um de seus guardas mais de rochas chamado Giges, que estava grilado por causa daquilo. Motivo? mostrar que ela era a mais bela mulher que existia! Pode crer malandro, mas isso custou muito caro. A rainha viu Giges olhando para ela se despindo e ficou indignada. Pressionou até o pobre homem as últimas instâncias para conspirar contra Candolo. Foi o que aconteceu. O monarca estava dormindo, tendo ótimos sonhos, quando de repente vem o pesadelo: o seu fiel guarda acaba o apunhalando, o mandando para outra vida. Para vocês verem como são as coisas, de uma hora pra outra, Giges, um simples escravo, acaba herdando o trono e acabando com a dinastia dos heráclidas, inaugurando uma nova dinastia: Mermnada. O saldo de Candolo foi muito positivo: além de perder o trono para seu algoz, tomou chifre (Giges casou-se com sua esposa) e virou presunto. Existem ainda outros relatos, como o de Platão citando o famoso Anel de Giges, além de Plutarco colocando uma relação entre Giges e o príncipe de Milasa, na Cária, que o ajudou a subir ao trono. Mas cá entre nós, a história do Heródoto é bem mais massa HAHAHA, sendo verdade ou não. 


Momento do marcante trágico encontro para Candolo


Giges herdou o reino numa época marcada por profundas mudanças na Anatólia. Os frígios, então poderosos até o séc.VII, acabaram tomando um cacete dos cimérios, tanto é que, de acordo com a tradição, o rei Midas suicidou-se e a capital Górdio acabou sendo pilhada e destruída pelos invasores. Poderia ser a época da alavancada lídia. Mesmo com o possível descontentamento popular com a morte de Candolo o reino começou a se expandir e dar mais confiança a boa parte dos súditos. As tropas de Giges marcharam sobre a Anatólia, derrotaram os cimérios e também boa parte das cidades jônias, entre elas Mileto, tentando manter boas relações com cidades gregas e com o Egito, assim ajudando ao seu reino a crescer territorialmente e, em um linguajar nada anacrônico, "economicamente". Só para dar uma polêmica básica com o uso desse conceito. Giges empacotou por volta de 644 a.C em uma resposta dada pelos cimérios quanto ao seu ataque a eles. Pode ter sido durante o seu reinado que foi fundada a cidade de Sardes, embora seja difícil de decifrar o tempo exato, podendo ter sido até mesmo em tempos Paleolíticos uma construção. É como meu amigo Junior me disse um dia quando debatíamos sobre o reino de Roma e ele me fez questionar sobre um determinado tema: quantas "Romas" existiram antes da que a tradicional historiografia aponta como fundada no ano de 753 a.C? Pesado o tema. Dando umas futricadas e sugando as informações na internet, achei no Wikipédia que a antiga capital dos lídios era uma cidade chamada Hida, mas não achei informações muito sólidas em outros locais.



Após a morte de Giges subiu ao trono seu filho Ardis II, que Heródoto aponta seu reinado na casa dos quarenta e nove anos, embora há o apontamento de seu reinado ter durado de 644 até 625 a.C. De qualquer forma, Ardis ajudou no projeto expansionista lídio, entrando em combates contra os cimérios, apoiado então pelos assírios em alguma parte do tempo, chegando a pagar tributos aos mesmos, conquistando também as velhas cidades jônias. Estudiosos da área de numismática acreditam que no período de seu governo foram cunhadas as primeiras moedas. Afinal, creditam aos lídios serem os primeiros povos a cunhar moedas no planeta, utilizando uma liga metálica chamada de electrum, originária da fusão de ouro, prata e vestígios de cobre. Fato que ajudou muito os lídios nos comércios com as diversas cidades gregas. 


Moeda de prata lídia, provavelmente da época de Creso: grande invenção dos lídios.

Sadiates II substituiu o pai no trono da lídia por algum tempo, seja doze (teoria de Heródoto) ou vinte e cinco anos, sendo sucedido por Aliates, herdando um império em formação. Este expulsou os cimérios, entrou em conflitos contra os medos (algozes dos assírios), então comandados por Ciáxares, além, como de costume dos "lídios malvados", de atacarem as cidades jônias, como Esmirina, Colófron e Mileto. Ah, Mileto. Muita treta!!! Mas é bom deixar claro que os caras não queriam destruir a cidade, a parada se limitava mais a uns saques, ás vezes algumas batalhas, até pelo seguinte fato: de quem a gente iria fazer uns ganhos se os trabalhadores, agricultores não estivessem mais por lá? Mas em um belo dia, após tempos de conflitos, havendo queima dos trigais por parte das tropas lídias e queima do templo de Minerva, foi celada uma certa paz entre os dois, havendo até a reconstrução do templo. O reinado de Aliates foi extremamente importante para o desenvolvimento da Lídia, aumentando (e muito) seu território, fincando-se como uma potência emergente na região da Anatólia.

O escolhido para continuar o projeto de expansão territorial foi o seu filho Creso, herdeiro agora de um dos mais importantes tronos da época, em um reino banhado em rios de ouro e prata. É bem provável que assumiu a monarquia em 560 a.C. Quem conheceu sobre o cara foram alguns loucos das antigas além do ''Pai da História", como Xenofonte, Ctesias e Plutarco. Nascido por volta de 595 a.C, Creso herdou a tradição Mermnada e fez um limpa na região, adquirindo, de acordo com Heródoto, todos as civilizações aquém do Rio Hális, exceto a Cilícia e a Lícia. Paflagônios, cários, frígios, cidades jônias, toda essa galera passou foi mal tentando se defender dos avanços lídios, não atacando as ilhas gregas, no entanto. Creso era conhecido por ser o homem mais rico de seu tempo, além de se achar o cara mais realizado do planeta. Sardes recebeu um vasto florescimento cultural e de riqueza, muitas delas oriundas da quantidade de tributos que recebiam. Era bem identificado com a cultura grega. Eu, pelo que já vi sobre a Lídia, acredito que tiveram ligações bem antigas com os povos gregos, pois é notório que essa galera se dedicou bem mais a falar deles em seus relatos.
 O rei Creso

Mas tal felicidade foi se acabando. Após umas boas geladas, Heródoto foi me dizendo uma parada cabulosa, que Creso sonhou com a morte do filho Átis, pedindo encarecidamente que ele se retirasse das batalhas militares, sem muito sucesso. Quando Adrasto, descendente da família real frígia, então conhecido por ter matado acidentalmente seu irmão, foi agraciado com a honra de ser o guardião de seu querido filho. Em vão, em uma certa luta para matar um javali gigante, como conta tal lenda, Adrasto acabou matando, sem querer, o jovem Átis, para total desgosto de Creso. Esse era sortudo, moleque doido! O rei, mesmo abalado, concedeu perdão ao tutor, mas este, desgostoso com a vida, suicidou-se frente ao túmulo de Átis.


Lídia e seu reino á época de Creso

Sem ter superado a dor da perda do filho, Creso se viu ameaçado pelos persas, então comandados por Ciro II, agora soberano sobre os Medos ao destronar o antigo rei Astíages, após uma aliança entre Ciro e Harpago, um general dos Medos, descontente com as atitudes do seu soberano. Uma delas, de acordo com Heródoto, foi a de ter assassinado o seu filho de treze anos e ter feito o mesmo comer seu herdeiro em um banquete preparado pelo monarca medo. Claro que temos de ter cuidado com algumas histórias de Heródoto, não sei se ele tomou umas a mais, assim como eu, mas ele viveu na cidade de Halicarnasso, na Anatólia, então acreditava realmente nas lombras dos mitos gregos, então não podemos julgá-lo de forma dura. É a mesma coisa que acreditamos em vários relatos bíblicos, da Torá, da historiografia, do jornalismo ou de qualquer fonte que seja, pois como disse anteriormente, voltar ao passado é impossível, o que sobram para nós são vestígios do mesmo, resgatados pelo mestre historiador. Tal cidade alguns de vocês devem conhecer justamente por causa do famoso Mausoléu, na época em que os cários dominavam aquela quebrada, feito pela rainha Artemísia II em homenagem ao finado rei Mausolo e a seu irmão, por volta de 353 a.C, sendo eleita como uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Pois bem, Creso se via em uma encruzilhada. Passou a consultar oráculos a fim de obter uma saciável resposta frente a uma possível batalha contra os persas. Ele acabou enviando sacrifícios e presentes a diversos oráculos, acreditando na resposta do de Delfos. O mesmo dizia que ele acabaria com um grande reino entrando em conflito militar, resposta que animou Creso. Lançou seu exército, com ajuda dos aliados lacedemônios, principalmente os espartanos, em campanha na Capadócia, então limite entre os dois reinos, para estraçalhar os inimigos. Em uma batalha equilibrada, Creso acabou achando melhor retornar até Sardes para buscar maior apoio de outros povos, como dos egípcios e babilônios, chegando a dispensar os mercenários. Corajoso, mas para quê? Ciro e seus homens venceram a Batalha de Timbra, recuando os lídios para Sardes, onde acabaram cercados por dias e perderam a guerra em 547 a.C. No ano seguinte Creso foi capturado e assim encerraram as hipóteses lídias de expandir seu reino, sendo agora determinados pela vontade dos persas. Ciro foi gentil com Creso, deixando o mesmo viver em sua corte, virando uma espécie de conselheiro do rei. No final das contas, Creso sentiu-se traído pelo Oráculo, achou que ia destruir Ciro e destruiu o próprio reino, hehehe. 

O vasto território da Lídia se viu reduzido a uma satrapia persa. Sardes nunca mais foi a mesma, acabando por ser saqueada e muitos de seus habitantes foram reduzidos ao escravismo. Depois acabou se sujeitando ao domínio de Alexandre, o Grande, e após a morte dele houve a divisão do império, em que Sardes acabou ficando na parte comandada pelos selêucidas, fazendo parte posteriormente do Império Romano, do Bizantino e dos Otomanos a partir de 1390, atacada pelos mongóis no séc.XV. É notório que a região passou por diversas modificações, principalmente a cidade de Sardes, que hoje, para alguns, corresponde como a atual Sart, na Turquia. Claro que não vamos generalizar falando que É REALMENTE SARDES, assim como falar que a pequena Esparta que existe hoje na Grécia é a mesma Esparta dos áureos tempos. A cidade foi um grande pólo inicial do Cristianismo, tendo sido fundada lá uma importante igreja das antigas. 

Bom saber também que Sardes além de ser rica por conta de tributos, pela proximidade com locais próximos a rios que auxiliavam nas atividades agricolas e pela constante exploração de ouro feita pelas monarquias lídias, principalmente ao término de seu apogeu, foi um grande ponto comercial, havendo diversos locais dentro da cidade propícios para trocas, havendo também uma grande estrada que ligava Sardes até Susa, na Pérsia, favorecendo tais atividades. Entre alguns produtos que se destacaram, podemos exemplificar o vinho, açafrão, o próprio electrum e a pedra calcedônia de Ônix.

A arquitetura e as artes (mais um problema conceitual em chamar de arte, ô vida de historiador, viu) da antiga Lídia tem traços muito semelhantes aos usados em cidades da Grécia, provavelmente até pelo grande intercâmbio cultural e comercial existente entre os povos lídios, das cidades jônias na Ásia e gregas na Europa. Sabe-se que a cerâmica foi muito utilizada entre eles.

Vaso de Cerâmica atribuído aos lídios

Igreja de Sardes


Por estas e outras informações que é tão importante estudar sobre aquela velha senhora a qual me referi no início desta postagem. As civilizações orientais são de suma importância para nossos dias, desbravá-las e conhecer um pouco mais dos vestígios que chegam até os nossos tempos, sejam por monumentos, por escritos, descobertas arqueológicas ou lendas clássicas é uma honra não só para mim, mas para diversas pessoas que se interessam pelos grandiosos feitos de nossos antepassados. Assim termino a minha humilde pesquisa sobre a civilização Lídia. Até a próxima, amigos!

Algumas fontes auxiliares

Heródoto - Histórias: Clio
Janto de Lídia - Lidíacas: Legendas Lídias*
Gómez Espelosin, Francisco Javier - El descubrimiento del mundo: geografia y viajeros en la antigua Grecia.
García Sánchez, Manel - El gran rey de persia: formas de representación de la alteridad persa en el imaginario griego. 
A.Frazee, Charles - World History: Ancient and medieval times to A.D 1500.


Obs: Janto era meio que fascinado pelas histórias lendárias sobre as antigas dinastias. É certo que foi um logógrafo que viveu na Lídia entre o século VI e V a.C. Boa parte de seus relatos foram perdidos no jogo contra o tempo. Citado por autores posteriores, como Estrabão, além do que acabei de citar, Gómez Espelosin.