Um pouco de história
Sardes: a antiga capital dos lídios
Olá, meus parceiros! Venho até aqui pela primeira vez para encher um pouco o saco de vocês, comentando um pouco sobre uma paixão que une vários astronautas que viajam cabulosamente (com muita sagacidade) nos alucinantes e embriagantes passeios pela galáxia da HISTÓRIA.
É provável que vocês lembrem que na época em que frequentamos a escola (a não ser que você estivesse zoando a professora, o ''amigo'', paquerando gurias, soltando peido alemão na sala, matando aula para tomar Cantina das Trevas ou simplesmente dormindo, seja pelo fato da aula ser uma merda, por causa de seu MALEDITO vício com jogos online ou por culpa do Red Tube na noite anterior), a gente acaba estudando em História, para a sua tristeza ou felicidade, sobre as grandes civilizações do Oriente, tais como o Egito, a Mesopotâmia, a Pérsia, a Fenícia, entre outros povos que tiveram grandes feitos e acabaram sendo consagrados na historiografia, em que muitos deles influenciam muito em nossos dias atuais. Exemplos? Não faltam. Podemos citar a escrita, seja ela por meio de hieróglifos ou no formato de cunha, o alfabeto consonantal fenício, o pensamento religioso dos hebreus, as técnicas para drenagem e irrigação dos solos em períodos de seca ou de fertilidade, entre uma pá de coisa que chegaram até nós. Até aí vocês lembram, né?
Esses são os primos ricos dentro da história dos povos orientais. Os pobres, como de costume, só se fodem e ficam somente com o que restou: os poucos fragmentos que restaram do passado. Como Baltasar Gracián dizia nas antigas, não há maior vingança do que o esquecimento, e a pena é facilmente aplicada aos vários mendigos, agora condenados a prisão perpétua, que acabam vivendo na solitária cela, esquecidos e renegados até o dia de virarem presuntos. Outros ainda sobrevivem com essas migalhas que mal dão para conter a fome que passam. Eis que em um inesperado momento Clio acaba reunindo diversos desvairados em volta do Monte Hélicon com o intuito de convocar geral para mais uma missão: combater a injustiça feita contra a galera e deem o sangue para resgatar os renegados do sofrimento. Todos toparam e invadiram a prisão no dia seguinte, atacando os guardas malditos, misturando as diversas habilidades aprendidas nos constantes treinamentos com Ares e outros seres deuses: a precisão nos tiros de Clint Eastwood, o Jeet Kune Do do mestre Bruce Lee e a capacidade de desviar dos disparos á queima-roupa, como possui o Max Payne. Uau! Os agentes não deram nem pro cheiro! Eles encontraram em meio aos corpos ensanguentados diversas chaves das celas, e assim acabaram libertando boa parte dos esquecidos, que, para a surpresa deles, não eram identificados com roupas e números de identificação no sistema carcerário, mas sim com faixas que tampavam seus olhos, ouvidos e bocas, sendo retiradas pelos sagazes homens. Na volta ao Monte Hélicon, eles trouxeram as humildes, mas valorosas pessoas de volta, fazendo com que Clio ficasse muito orgulhosa, concedendo assim o mais valioso título aos corajosos e disciplinados guerreiros: o de historiador. Nessa loucura, acabaram sendo resgatadas diversas mulheres que detiveram tempos de glórias em um passado distante, mas em especial uma com o nome de Lídia, que fez questão em nos dar o papo reto sobre um pouco de sua trajetória, em uma conversa acompanhada por uma cervejinha gelada. Excelente!
Pois bem, ela parecia estar engajada em dizer algumas coisas interessantes, mas eu não entendia nada do que ela falava. Eu já estava começando a ficar chapado e muito puto com a situação, até que chegaram Janto e Heródoto na sala para me darem uma ajudinha e me explicar o que ela tava falando. Aí sim comecei a entender sobre o assunto por causa de suas sábias palavras. Entre uma breja e outra, conversas indo e vindo, misturando as informações deles com as que já tinha conhecimento, fiquei sabendo boas informações, e irei contar a vocês as experiências dessa senhora. Por sinal, Janto, como disse Gómez Espelosín, "conhecia a perfeição de seu próprio território e e podia, portanto, levar a uma conclusão bem sucedida de uma descrição detalhada do país".
Se localizava na região da Anatólia, ou se preferirem, em uma parte do território que abrange o país da Turquia nos dias contemporâneos, mas chegaram a ocupar a metade Oeste da Anatólia nos tempos áureos. Aquelas terras eram divididas com diversos povos conhecidos (ou não) do Oriente, como os frígios, os jônios, cilícios, lícios, cários, entre outros que ficavam á esquerda do Rio Halys, também chegando a ocupar as proximidades de outros rios da região, como o Meandro, Caistro e também o Pactolo, este muito importante para economia da Lídia. Tal rio é conhecido na antiguidade por ser o local em que Midas deixou de lado o seu poder de transformar tudo em ouro (dado pelo deus Dionísio) ao tocar suas mãos nas águas do rio, pois não dava nem para ele comer. Comer ouro não dá né, malandro? Só se tiver em uma broca lascada. Aí o ouro passou todo para o rio Pactolo, grande fonte de riqueza para os lídios.
Se localizava na região da Anatólia, ou se preferirem, em uma parte do território que abrange o país da Turquia nos dias contemporâneos, mas chegaram a ocupar a metade Oeste da Anatólia nos tempos áureos. Aquelas terras eram divididas com diversos povos conhecidos (ou não) do Oriente, como os frígios, os jônios, cilícios, lícios, cários, entre outros que ficavam á esquerda do Rio Halys, também chegando a ocupar as proximidades de outros rios da região, como o Meandro, Caistro e também o Pactolo, este muito importante para economia da Lídia. Tal rio é conhecido na antiguidade por ser o local em que Midas deixou de lado o seu poder de transformar tudo em ouro (dado pelo deus Dionísio) ao tocar suas mãos nas águas do rio, pois não dava nem para ele comer. Comer ouro não dá né, malandro? Só se tiver em uma broca lascada. Aí o ouro passou todo para o rio Pactolo, grande fonte de riqueza para os lídios.
A Anatólia e suas divisões
Heródoto me disse que o nome Lídia é por causa de um antigo rei, que dizem uns serem mitológico, desse povo chamado Lido, filho de Átis. É bom saber que a opinião de Heródoto não é um monopólio dentro das ciências sociais, pois o arqueólogo Bochard acreditava na origem fenícia, oriundo do nome luz. São hipóteses que se abrem, em meio a outras, de desvendar, ou ao menos reinventar o passado, já que voltar ao mesmo só se for em outra vida.
Janto me deu ideia da dinastia de Lido, os reis atíados. Os reis de tal dinastia foram Tmolo, Tântalo, Ônfale, Átis e Lido, a maioria dos citados foram personagens importantes dentro da mitologia grega. Creditam Tmolo ser um deus das montanhas e primeiro rei dessa galera, Ônfale governou após a morte de Tmolo, então seu marido. Átis também pode ser considerado personagem da mitologia, já que para uns era considerado um semideus loucamente apaixonado pela deusa frígia Cibele. O substituto de Átis foi seu filho, Lido, que se suicidou. Também há fontes que apontam que tal lista de reis seja bem maior, apontando até Ônfale como apenas princesa da Lídia.
Janto me deu ideia da dinastia de Lido, os reis atíados. Os reis de tal dinastia foram Tmolo, Tântalo, Ônfale, Átis e Lido, a maioria dos citados foram personagens importantes dentro da mitologia grega. Creditam Tmolo ser um deus das montanhas e primeiro rei dessa galera, Ônfale governou após a morte de Tmolo, então seu marido. Átis também pode ser considerado personagem da mitologia, já que para uns era considerado um semideus loucamente apaixonado pela deusa frígia Cibele. O substituto de Átis foi seu filho, Lido, que se suicidou. Também há fontes que apontam que tal lista de reis seja bem maior, apontando até Ônfale como apenas princesa da Lídia.
Essa parada é complicada, MANÉ. As datas são incertas, não dá pra se estabelecer uma cronologia sinistra com as fontes que temos, sem contar que é formada por personagens da mitologia grega, o que já é difícil pá cacete de estabelecer algo certinho. Se falar da Lídia é sempre uma polêmica historiográfica, as fontes não são bem precisas na maioria das vezes. Há a colocação dos Lídios como uma ramificação de povos descendentes do Império Hitita, que, aproximadamente, em 1180 sucumbiu diante da invasão de diversos povos, entre eles os gasgas, os tais povos do mar, mushkis e também pelos frígios, após anos sofrendo com a desorganização causada pela disputa interna com intuito de se garantir uma possibilidade de subir ao trono, com Hattusa, então capital de Hatti, sendo incendiada, vários manos de lá sendo mortos ou levados como escravos, daquele jeito tradicional. Uma boa parte, inclusive Heródoto, acredita que a Lídia seja derivada da Meoncia, antigo povo da Anatólia, tendo mudado seu nome depois do rei Lido ter assumido o trono. Alguns até acreditam, como Charles A. Frazee em sua obra História do Mundo Volume Um: Tempos Antigos e Medievais a 1500 d.C, na aparição da Lídia (propriamente dita) no século VII a.C, pós derrocada da Frígia diante da Ciméria. Outra coisa que auxilia é a lombra de que a língua lídia é originária da língua hitita, de matriz indo-européia.
Enfim, vamos pro papo reto. Heródoto me disse que houve uma dinastia dos descendentes de Héracles e de uma de suas esposas que se chamava Iardanos (Ônfale talvez tenha dado origem a essa cambada de reis), reinando entre os lídios por 505 anos, chegando ao número de 22 reis, começada com o rei Agros. Muitos posteriores contestam essa parada, mas pode ser que ele esteja certo, de duas, uma: ou a cerveja estava bem batizada ou deu inspiração para a mente dele. De qualquer forma se o Tucídides estivesse aqui presente, acho que ia sair uma briga doida entre os dois, com as velhas acusações de farsa por parte de nosso outro amigo. Nesse período um pouco obscuro também existem uma série de nomes que estudiosos contestam, embora o mais indicado seja Agros como primeiro rei absolutamente sapien como nós. Após ele, alguns reis o sucederam, entre eles Ardis I, Aliates I e Mirso. De fato, o último dos reis de tal dinastia, quando a Lídia ainda era minúscula, foi o rei Candolo (ou Mirsilo, dá nada), filho de Mirso. Isso pelo século VIII ou XVII da era cristã.
- Um baita tirano! - disse Heródoto.
Ele se empolga para falar da trágica história desse nosso companheiro. Mais ou menos no ano de 716 antes da era cristã, acabou dando a doida em Candolo e ele mostrou a sua mulher peladona para um de seus guardas mais de rochas chamado Giges, que estava grilado por causa daquilo. Motivo? mostrar que ela era a mais bela mulher que existia! Pode crer malandro, mas isso custou muito caro. A rainha viu Giges olhando para ela se despindo e ficou indignada. Pressionou até o pobre homem as últimas instâncias para conspirar contra Candolo. Foi o que aconteceu. O monarca estava dormindo, tendo ótimos sonhos, quando de repente vem o pesadelo: o seu fiel guarda acaba o apunhalando, o mandando para outra vida. Para vocês verem como são as coisas, de uma hora pra outra, Giges, um simples escravo, acaba herdando o trono e acabando com a dinastia dos heráclidas, inaugurando uma nova dinastia: Mermnada. O saldo de Candolo foi muito positivo: além de perder o trono para seu algoz, tomou chifre (Giges casou-se com sua esposa) e virou presunto. Existem ainda outros relatos, como o de Platão citando o famoso Anel de Giges, além de Plutarco colocando uma relação entre Giges e o príncipe de Milasa, na Cária, que o ajudou a subir ao trono. Mas cá entre nós, a história do Heródoto é bem mais massa HAHAHA, sendo verdade ou não.
Momento do marcante trágico encontro para Candolo
Giges herdou o reino numa época marcada por profundas mudanças na Anatólia. Os frígios, então poderosos até o séc.VII, acabaram tomando um cacete dos cimérios, tanto é que, de acordo com a tradição, o rei Midas suicidou-se e a capital Górdio acabou sendo pilhada e destruída pelos invasores. Poderia ser a época da alavancada lídia. Mesmo com o possível descontentamento popular com a morte de Candolo o reino começou a se expandir e dar mais confiança a boa parte dos súditos. As tropas de Giges marcharam sobre a Anatólia, derrotaram os cimérios e também boa parte das cidades jônias, entre elas Mileto, tentando manter boas relações com cidades gregas e com o Egito, assim ajudando ao seu reino a crescer territorialmente e, em um linguajar nada anacrônico, "economicamente". Só para dar uma polêmica básica com o uso desse conceito. Giges empacotou por volta de 644 a.C em uma resposta dada pelos cimérios quanto ao seu ataque a eles. Pode ter sido durante o seu reinado que foi fundada a cidade de Sardes, embora seja difícil de decifrar o tempo exato, podendo ter sido até mesmo em tempos Paleolíticos uma construção. É como meu amigo Junior me disse um dia quando debatíamos sobre o reino de Roma e ele me fez questionar sobre um determinado tema: quantas "Romas" existiram antes da que a tradicional historiografia aponta como fundada no ano de 753 a.C? Pesado o tema. Dando umas futricadas e sugando as informações na internet, achei no Wikipédia que a antiga capital dos lídios era uma cidade chamada Hida, mas não achei informações muito sólidas em outros locais.
Após a morte de Giges subiu ao trono seu filho Ardis II, que Heródoto aponta seu reinado na casa dos quarenta e nove anos, embora há o apontamento de seu reinado ter durado de 644 até 625 a.C. De qualquer forma, Ardis ajudou no projeto expansionista lídio, entrando em combates contra os cimérios, apoiado então pelos assírios em alguma parte do tempo, chegando a pagar tributos aos mesmos, conquistando também as velhas cidades jônias. Estudiosos da área de numismática acreditam que no período de seu governo foram cunhadas as primeiras moedas. Afinal, creditam aos lídios serem os primeiros povos a cunhar moedas no planeta, utilizando uma liga metálica chamada de electrum, originária da fusão de ouro, prata e vestígios de cobre. Fato que ajudou muito os lídios nos comércios com as diversas cidades gregas.
Moeda de prata lídia, provavelmente da época de Creso: grande invenção dos lídios.
Sadiates II substituiu o pai no trono da lídia por algum tempo, seja doze (teoria de Heródoto) ou vinte e cinco anos, sendo sucedido por Aliates, herdando um império em formação. Este expulsou os cimérios, entrou em conflitos contra os medos (algozes dos assírios), então comandados por Ciáxares, além, como de costume dos "lídios malvados", de atacarem as cidades jônias, como Esmirina, Colófron e Mileto. Ah, Mileto. Muita treta!!! Mas é bom deixar claro que os caras não queriam destruir a cidade, a parada se limitava mais a uns saques, ás vezes algumas batalhas, até pelo seguinte fato: de quem a gente iria fazer uns ganhos se os trabalhadores, agricultores não estivessem mais por lá? Mas em um belo dia, após tempos de conflitos, havendo queima dos trigais por parte das tropas lídias e queima do templo de Minerva, foi celada uma certa paz entre os dois, havendo até a reconstrução do templo. O reinado de Aliates foi extremamente importante para o desenvolvimento da Lídia, aumentando (e muito) seu território, fincando-se como uma potência emergente na região da Anatólia.
O escolhido para continuar o projeto de expansão territorial foi o seu filho Creso, herdeiro agora de um dos mais importantes tronos da época, em um reino banhado em rios de ouro e prata. É bem provável que assumiu a monarquia em 560 a.C. Quem conheceu sobre o cara foram alguns loucos das antigas além do ''Pai da História", como Xenofonte, Ctesias e Plutarco. Nascido por volta de 595 a.C, Creso herdou a tradição Mermnada e fez um limpa na região, adquirindo, de acordo com Heródoto, todos as civilizações aquém do Rio Hális, exceto a Cilícia e a Lícia. Paflagônios, cários, frígios, cidades jônias, toda essa galera passou foi mal tentando se defender dos avanços lídios, não atacando as ilhas gregas, no entanto. Creso era conhecido por ser o homem mais rico de seu tempo, além de se achar o cara mais realizado do planeta. Sardes recebeu um vasto florescimento cultural e de riqueza, muitas delas oriundas da quantidade de tributos que recebiam. Era bem identificado com a cultura grega. Eu, pelo que já vi sobre a Lídia, acredito que tiveram ligações bem antigas com os povos gregos, pois é notório que essa galera se dedicou bem mais a falar deles em seus relatos.
Mas tal felicidade foi se acabando. Após umas boas geladas, Heródoto foi me dizendo uma parada cabulosa, que Creso sonhou com a morte do filho Átis, pedindo encarecidamente que ele se retirasse das batalhas militares, sem muito sucesso. Quando Adrasto, descendente da família real frígia, então conhecido por ter matado acidentalmente seu irmão, foi agraciado com a honra de ser o guardião de seu querido filho. Em vão, em uma certa luta para matar um javali gigante, como conta tal lenda, Adrasto acabou matando, sem querer, o jovem Átis, para total desgosto de Creso. Esse era sortudo, moleque doido! O rei, mesmo abalado, concedeu perdão ao tutor, mas este, desgostoso com a vida, suicidou-se frente ao túmulo de Átis.
O escolhido para continuar o projeto de expansão territorial foi o seu filho Creso, herdeiro agora de um dos mais importantes tronos da época, em um reino banhado em rios de ouro e prata. É bem provável que assumiu a monarquia em 560 a.C. Quem conheceu sobre o cara foram alguns loucos das antigas além do ''Pai da História", como Xenofonte, Ctesias e Plutarco. Nascido por volta de 595 a.C, Creso herdou a tradição Mermnada e fez um limpa na região, adquirindo, de acordo com Heródoto, todos as civilizações aquém do Rio Hális, exceto a Cilícia e a Lícia. Paflagônios, cários, frígios, cidades jônias, toda essa galera passou foi mal tentando se defender dos avanços lídios, não atacando as ilhas gregas, no entanto. Creso era conhecido por ser o homem mais rico de seu tempo, além de se achar o cara mais realizado do planeta. Sardes recebeu um vasto florescimento cultural e de riqueza, muitas delas oriundas da quantidade de tributos que recebiam. Era bem identificado com a cultura grega. Eu, pelo que já vi sobre a Lídia, acredito que tiveram ligações bem antigas com os povos gregos, pois é notório que essa galera se dedicou bem mais a falar deles em seus relatos.
O rei Creso
Lídia e seu reino á época de Creso
Sem ter superado a dor da perda do filho, Creso se viu ameaçado pelos persas, então comandados por Ciro II, agora soberano sobre os Medos ao destronar o antigo rei Astíages, após uma aliança entre Ciro e Harpago, um general dos Medos, descontente com as atitudes do seu soberano. Uma delas, de acordo com Heródoto, foi a de ter assassinado o seu filho de treze anos e ter feito o mesmo comer seu herdeiro em um banquete preparado pelo monarca medo. Claro que temos de ter cuidado com algumas histórias de Heródoto, não sei se ele tomou umas a mais, assim como eu, mas ele viveu na cidade de Halicarnasso, na Anatólia, então acreditava realmente nas lombras dos mitos gregos, então não podemos julgá-lo de forma dura. É a mesma coisa que acreditamos em vários relatos bíblicos, da Torá, da historiografia, do jornalismo ou de qualquer fonte que seja, pois como disse anteriormente, voltar ao passado é impossível, o que sobram para nós são vestígios do mesmo, resgatados pelo mestre historiador. Tal cidade alguns de vocês devem conhecer justamente por causa do famoso Mausoléu, na época em que os cários dominavam aquela quebrada, feito pela rainha Artemísia II em homenagem ao finado rei Mausolo e a seu irmão, por volta de 353 a.C, sendo eleita como uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Pois bem, Creso se via em uma encruzilhada. Passou a consultar oráculos a fim de obter uma saciável resposta frente a uma possível batalha contra os persas. Ele acabou enviando sacrifícios e presentes a diversos oráculos, acreditando na resposta do de Delfos. O mesmo dizia que ele acabaria com um grande reino entrando em conflito militar, resposta que animou Creso. Lançou seu exército, com ajuda dos aliados lacedemônios, principalmente os espartanos, em campanha na Capadócia, então limite entre os dois reinos, para estraçalhar os inimigos. Em uma batalha equilibrada, Creso acabou achando melhor retornar até Sardes para buscar maior apoio de outros povos, como dos egípcios e babilônios, chegando a dispensar os mercenários. Corajoso, mas para quê? Ciro e seus homens venceram a Batalha de Timbra, recuando os lídios para Sardes, onde acabaram cercados por dias e perderam a guerra em 547 a.C. No ano seguinte Creso foi capturado e assim encerraram as hipóteses lídias de expandir seu reino, sendo agora determinados pela vontade dos persas. Ciro foi gentil com Creso, deixando o mesmo viver em sua corte, virando uma espécie de conselheiro do rei. No final das contas, Creso sentiu-se traído pelo Oráculo, achou que ia destruir Ciro e destruiu o próprio reino, hehehe.
O vasto território da Lídia se viu reduzido a uma satrapia persa. Sardes nunca mais foi a mesma, acabando por ser saqueada e muitos de seus habitantes foram reduzidos ao escravismo. Depois acabou se sujeitando ao domínio de Alexandre, o Grande, e após a morte dele houve a divisão do império, em que Sardes acabou ficando na parte comandada pelos selêucidas, fazendo parte posteriormente do Império Romano, do Bizantino e dos Otomanos a partir de 1390, atacada pelos mongóis no séc.XV. É notório que a região passou por diversas modificações, principalmente a cidade de Sardes, que hoje, para alguns, corresponde como a atual Sart, na Turquia. Claro que não vamos generalizar falando que É REALMENTE SARDES, assim como falar que a pequena Esparta que existe hoje na Grécia é a mesma Esparta dos áureos tempos. A cidade foi um grande pólo inicial do Cristianismo, tendo sido fundada lá uma importante igreja das antigas.
Bom saber também que Sardes além de ser rica por conta de tributos, pela proximidade com locais próximos a rios que auxiliavam nas atividades agricolas e pela constante exploração de ouro feita pelas monarquias lídias, principalmente ao término de seu apogeu, foi um grande ponto comercial, havendo diversos locais dentro da cidade propícios para trocas, havendo também uma grande estrada que ligava Sardes até Susa, na Pérsia, favorecendo tais atividades. Entre alguns produtos que se destacaram, podemos exemplificar o vinho, açafrão, o próprio electrum e a pedra calcedônia de Ônix.
A arquitetura e as artes (mais um problema conceitual em chamar de arte, ô vida de historiador, viu) da antiga Lídia tem traços muito semelhantes aos usados em cidades da Grécia, provavelmente até pelo grande intercâmbio cultural e comercial existente entre os povos lídios, das cidades jônias na Ásia e gregas na Europa. Sabe-se que a cerâmica foi muito utilizada entre eles.
Vaso de Cerâmica atribuído aos lídios
Igreja de Sardes
Por estas e outras informações que é tão importante estudar sobre aquela velha senhora a qual me referi no início desta postagem. As civilizações orientais são de suma importância para nossos dias, desbravá-las e conhecer um pouco mais dos vestígios que chegam até os nossos tempos, sejam por monumentos, por escritos, descobertas arqueológicas ou lendas clássicas é uma honra não só para mim, mas para diversas pessoas que se interessam pelos grandiosos feitos de nossos antepassados. Assim termino a minha humilde pesquisa sobre a civilização Lídia. Até a próxima, amigos!
Algumas fontes auxiliares
Heródoto - Histórias: Clio
Janto de Lídia - Lidíacas: Legendas Lídias*
Wikipédia - http://es.wikipedia.org/wiki/Lidia
Blog Crônicas da Anatólia - http://cronicasdaanatolia.blogspot.com.br/2006/12/o-reino-da-ldia-o-antigo-reino-da-ldia.html
Gómez Espelosin, Francisco Javier - El descubrimiento del mundo: geografia y viajeros en la antigua Grecia.
García Sánchez, Manel - El gran rey de persia: formas de representación de la alteridad persa en el imaginario griego.
A.Frazee, Charles - World History: Ancient and medieval times to A.D 1500.
Blog Ensinador Cristão - http://ensinadorcristao.blogspot.com.br/2012/05/mensagem-de-jesus-igreja-de-sardes.html
Obs: Janto era meio que fascinado pelas histórias lendárias sobre as antigas dinastias. É certo que foi um logógrafo que viveu na Lídia entre o século VI e V a.C. Boa parte de seus relatos foram perdidos no jogo contra o tempo. Citado por autores posteriores, como Estrabão, além do que acabei de citar, Gómez Espelosin.








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